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Contra o ataque sem precedentes aos trabalhadores portugueses

O Secretariado Nacional da FNE, reunido de urgência no dia 7 de Outubro de 2010, considera que o conjunto de medidas que o Governo já anunciou que vai estabelecer sob a forma de lei, constituem um ataque sem precedentes aos trabalhadores portugueses, e particularmente aos da administração pública, nomeadamente os da educação, docentes e não docentes, assumindo ainda proporções inaceitáveis em relação aos trabalhadores aposentados.

Perante medidas de tal brutalidade, a resposta dos trabalhadores e dos seus sindicatos não pode deixar de ter idêntica dimensão.
Aquando da determinação das decisões que constituíram o chamado PEC II, a FNE exigiu:


a) que as medidas escolhidas correspondessem à efectiva dimensão da resposta que deveria ser adoptada para eliminar os problemas económicos identificados;


b) que se estabelecesse um mecanismo de controlo e acompanhamento, para que se garantisse a sua aplicação em conformidade com os objectivos definidos.

 


Era então claro para a FNE, e tendo em conta a responsabilidade de quem identificava tais medidas e a sua própria dimensão, que era inadmissível que elas não fossem as suficientes para que não se voltassem a pedir novos sacrifícios aos trabalhadores.


A verdade é que aquelas medidas, que foram anunciadas como suficientes, foram mal aplicadas, sem que o Governo tenha prestado contas sobre o que fez ao esforço já realizado, já que impõe agora novos constrangimentos que têm consequências que vão perdurar por muitos anos.

Com efeito, esta quebra salarial já determinada, só daqui a muitos anos é que poderá ser ultrapassada.


A propósito, impõe-se lembrar que os trabalhadores portugueses da administração pública já viram congelada a consideração do seu tempo de serviço prestado entre 30 de Agosto de 2005 e 31 de Dezembro de 2007 e que acumularam até 2009, cerca de 10% de perdas salariais sucessivas que o aumento de 2,9%, determinado em 2009, obviamente não cobriu.


Deste modo, quem falhou no compromisso que antes assumiu não nos merece confiança para as decisões que agora anuncia.

É legítima, portanto, toda a insegurança e desconfiança. E sobretudo é imperioso exigir o fim das políticas de empobrecimento dos trabalhadores portugueses.
Alguns querem fazer-nos crer que estas novas medidas que agora nos querem impor estão em linha com as que outros países determinaram para responderem a situações de idêntica natureza e dimensão. Esquecem-se, no entanto, de referir que os salários dos portugueses estão entre os mais baixos da União Europeia e que, nalguns casos, qualquer diminuição de salário representa a passagem para situações de pobreza inaceitáveis.
Mas, mesmo em relação às medidas agora anunciadas, surgem-nos fundadas dúvidas sobre o seu real impacto. Com efeito, orientações cegas de congelamento universal do investimento público só podem ter como efeito o aumento do desemprego.

O crescimento do IVA, se não for acompanhado por medidas concretas e activas de combate à evasão e à fraude fiscais, poderá não ter por consequência as receitas fiscais que se esperam. A alteração dos escalões do IRS pode não ter o impacto esperado se, como se tem visto, os mais altos rendimentos conseguirem encontrar fórmulas de não serem considerados.
A acrescer a tudo isto, e com impacto particular na área da educação, não se pode deixar de denunciar as consequências que a este nível decorrem da decisão de diminuir as transferências financeiras para as autarquias.

O cinismo que aqui se demonstra tem uma dimensão que não pode deixar de ser evidenciada e considerada intolerável: quando as autarquias acederam receber um acréscimo significativo de responsabilidades, em termos de construção e manutenção dos centros escolares, do funcionamento das AEC, da gestão dos trabalhadores não docentes, da disponibilização dos apoios sócio-educativos, e da garantia do funcionamento dos transportes escolares, o Governo decide reduzir as compensações financeiras que um tal acréscimo de responsabilidades deveria significar. Deste modo, o que está em causa é também o serviço público de educação.

 


É, pois, legítima a indignação dos trabalhadores da administração pública portuguesa, porque:


- Vêem desconsiderado o esforço que sucessivamente têm sido chamados a realizar, em nome do interesse nacional;


- É preciso acabar com políticas lesivas e gravosas de salários e pensões;


- Continuam a considerar que não são adoptadas medidas claras de combate ao desperdício, nomeadamente quando vêem todos os dias competentes trabalhadores da administração pública a serem substituídos por assessorias de muito duvidosa relevância e de absoluta inutilidade pública;
-

Discordam da diminuição de condições para a consolidação de um serviço público de educação de qualidade.
Impõe-se, pois, que os trabalhadores da administração pública digam ao Governo com firmeza e determinação:


- basta de PEC’s assentes na desvalorização de salários e pensões;


- o Estado deve eliminar os desperdícios de cada dia;


- chega de austeridade pela austeridade;
- exigem-se medidas eficazes de promoção de políticas fiscais justas.


É fundamental que, perante tal manifestação de indignação, o Governo se disponibilize para:


- garantir um serviço público de educação de qualidade;


- reformular as orientações anunciadas, no sentido de eliminar o seu impacto sobre os salários e pensões;


- assumir medidas justas de combate ao desperdício no Estado e no sector empresarial do Estado;
- negociar políticas fiscais justas;


- estabelecer mecanismos com participação das organizações sindicais para acompanhamento do impacto das medidas que vierem a ser adoptadas.


Deste modo, o Secretariado Nacional delibera mobilizar todos os trabalhadores que representa para a mais forte forma de contestação que está à sua disposição e que é a greve. A FNE está disponível para que esta greve possa realizar-se em convergência com outras organizações sindicais, no quadro da nossa participação na UGT.

Lisboa, 7 de Outubro de 2010

Dia Mundial do Trabalho digno

Dia Mundial do Trabalho digno

A efeméride será também lembrada no distrito de Castelo Branco, neste dia 7 de Outubro. Alunos da Escola Secundária do Fundão e do Agrupamento de Escolas de Alcains reflectirão sobre o tema.
O Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC), a Federação Nacional da Educação (FNE) e a União Geral de Trabalhadores (UGT), no âmbito da Confederação Sindical Internacional (CSI), associam-se à iniciativa do Dia Mundial do Trabalho Digno, neste dia 7 de Outubro.
Esta celebração tem em vista a realização de actividades que promovam os conceitos que aquelas estruturas sindicais defendem de trabalho digno e que têm como destinatários os alunos.
A efeméride é lembrada no distrito de Castelo Branco através de actividades que serão realizadas na Escola Secundária do Fundão e no Agrupamento de Escolas José Sanches.
Na Secundária do Fundão, o professor João Marrocano abordará o tema a partir das 10h 05 minutos para um grupo de alunos do Curso Profissional de Análises Laboratoriais, repetindo igual reflexão pelas 11h 45m, no Curso Profissional de Electrónica e Automação de Computadores. No Agrupamento de Escolas de Alcains, o professor José Francisco Marques trabalhará o assunto, depois das 10h 20m, com os alunos de Ensino Profissional, Técnicos de Informática de Gestão.
Trata-se de uma iniciativa que se torna ainda mais premente num tempo em que o desemprego assume proporções catastróficas e em que os abusos e as prepotências são quotidianos.

SPZCentro/FNE denuncia ausência de coerência do Governo nas medidas de combate à crise

SPZCentro/FNE denuncia ausência de coerência do Governo nas medidas de combate à crise

O SPZCentro/FNE considera que as medidas que o Governo acaba de anunciar para constituírem a mais recente resposta à crise que se tem instalado sobre as contas nacionais representam um atestado de incompetência à capacidade do Governo para a gestão das soluções que anteriormente foram sendo determinadas, o que mina fortemente a sua credibilidade para as sucessivas decisões que vai tomando e portanto para a credibilidade, quer destas, quer de outras medidas futuras.
Com efeito, quando medidas anteriores foram anunciadas, quer no quadro do PEC I, quer no quadro do PEC II, o SPZCentro/FNE exigiu que houvesse a garantia de que elas correspondessem às exigências que na altura se levantavam à economia nacional, para se conseguir a desejada e necessária estabilização das contas nacionais e que não seriam pedidas depois aos Trabalhadores portugueses, e particularmente aos da administração pública, medidas ainda mais gravosas. Era obrigação de quem foi responsável pela selecção das medidas adoptadas que houvesse a garantia de que elas correspondiam inegavelmente ao esforço que se tornava imperioso realizar para que, como se anunciou, se ultrapassasse a crise.
Ao mesmo tempo, o SPZCentro/FNE exigiu que se assumisse uma atitude coerente de acompanhamento da execução dessas medidas e que se conseguisse um escrutínio permanente do seu impacto.
O que é certo é que a verdade que toda a informação conhecida nos permite obter é que a gestão daquelas medidas foi feita de um modo inconsequente, incoerente e sem que em todos os sectores – quer no âmbito da receita, quer no âmbito da despesa – tivessem atingido os objectivos que eram essenciais que se obtivessem. E pior do que tirar esta conclusão é verificar que esta situação não pode ter ocorrido instantaneamente e que portanto já estava em curso e que, apesar disto, não só não foram tomadas medidas de correcção, como ainda se manteve até à última hora um discurso em que já ninguém acreditava, mas que queria fazer passar a ideia de que os objectivos do deficit, da produtividade e do crescimento estavam em bom caminho. Os portugueses, os trabalhadores portugueses não aceitam serem tratados com este grau de ingenuidade.
As medidas agora anunciadas incidem particularmente no lado da receita, e voltam a ter como sua origem uma diminuição brutal das condições de vida de todos os trabalhadores da administração pública. Mas não se verifica que do lado da contenção das despesas o Governo seja tão claro no enunciado de medidas de idêntica energia. Ora, esta desigualdade dos pratos da balança levanta-nos sérias suspeitas sobre o impacto real das orientações que acabam de ser anunciadas, sendo certo que algumas delas, como ao nível do crescimento do IVA ou do congelamento dos investimentos públicos, possam acabar por ter o impacto que se prevê e que não possam até ter efeitos perversos que reduzam o efeito desejado.
O SPZC não pode deixar de manifestar a sua perplexidade pelas medidas anunciadas e pelo tempo que se esperou para serem adoptadas orientações que, pelos vistos, são agora as adequadas à emergência que se vive.
Por isso, o SPZC compreende que os Trabalhadores portugueses, e particularmente os da administração pública se sintam legitimamente desconsiderados e que queiram exprimir de uma forma veemente o seu protesto e a contestação à inconsequência e inconsciência da forma como até agora as medidas anteriores foram sendo geridas.