Hoje é dia: 29/06/2026

Últimas Notícias

FESAP contesta medidas do Governo

Governo admite que novo sistema conduz a despedimentos na AP
Nota de Imprensa FESAP - 15 de maio de 2013

A FESAP reuniu ontem, 14 de Maio, com o Secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, no Ministério das Finanças, em Lisboa, tendo como ponto central da ordem de trabalhos o anteprojecto de proposta de Lei que institui o sistema de requalificação profissional dos trabalhadores da Administração Pública, revogando o actual sistema de mobilidade especial.

Sistema de Requalificação Profissional
Tal como referido no parecer entregue ao Governo, a FESAP, que sempre se opôs à mobilidade especial, considera que este novo sistema nada mais é do que um mecanismo engendrado tendo em vista os despedimentos na Administração Pública.

Com efeito, mediante a utilização de critérios de selecção pouco claros, que podem dar aos dirigentes máximos dos serviços larga margem de arbitrariedade e, ao prever, como culminar de todo o processo, a saída da Administração Pública e a atribuição de subsídio de desemprego aos trabalhadores que, após o período de requalificação, não sejam alvo de recolocação, este é um sistema que procura claramente despedir trabalhadores da Administração Pública.

Relativamente aos trabalhadores que já foram nomeados (artº 88 da Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro), os referidos subsídios seriam, neste caso, pagos pelos serviços.

Numa altura em que é já certo que as medidas de controlo de admissões combinadas com as saídas por aposentação superarão, até final de 2013, a meta de diminuição de 100 mil efectivos anunciada pelo Governo e acordada com a Troika, a FESAP considera que todo este frenesim de criação de mecanismos que promovem a desregulação e a insegurança laboral na Administração Pública, tem como guia uma agenda ideológica que procura reduzir ao mínimo o Estado Social, diminuir os salários da generalidade dos portugueses, liberalizar o mercado de trabalho e colocar nas mãos de privados serviços públicos essenciais para o bem-estar dos cidadãos.

Horário de Trabalho
Nessa mesma linha, o Governo confirma a sua intenção de alargar o horário de trabalho na Administração Pública por intermédio do orçamento rectificativo e não pela Lei do Trabalho em Funções Públicas que será brevemente submetida à negociação, sem que exista qualquer base que sustente que essa medida traria benefícios para a quantidade ou para a qualidade dos serviços prestados às populações, sendo porém certo que uma alteração desta natureza causará grandes transtornos na vida pessoal e familiar de centenas de milhar de portugueses, pelo que a FESAP lutará por todos os meios contra a sua implementação.

Programa de rescisões por mútuo acordo
Na reunião de ontem, foi também possível confirmar que o programa de rescisões por mútuo acordo que o Governo pretende levar por diante tem na base critérios exclusivamente economicistas que visam, simplesmente, diminuir o número de efectivos na Administração Pública, sendo que Hélder Rosalino confessou que o Executivo não faz ideia de quantos trabalhadores poderão ser abrangidos por esta medida, até porque será combinada com medidas de reestruturação e reorganização dos serviços. Neste capítulo, o Secretário de Estado admitiu a possibilidade da criação de uma comissão de acompanhamento com a participação de representantes dos trabalhadores.

ADSE
A FESAP confirmou igualmente que, no decurso de 2013, serão aumentadas em 0,75% as comparticipações dos trabalhadores para a ADSE, não se sabendo ainda se será através do orçamento rectificativo a apresentar brevemente ou através de outro qualquer diploma legal. Igualmente certo é o aumento destas comparticipações em mais 0,25% em 2014, ao mesmo tempo que a comparticipação da entidade empregadora pública diminuirá 1%.

Ainda a propósito da ADSE, e tendo em conta que este é um sistema sustentado quase em exclusivo por dinheiro dos trabalhadores, a FESAP voltou a defender que os trabalhadores devem ter uma palavra a dizer na gestão deste sistema, tendo o Secretário de Estado mostrado abertura para que, no futuro, se avance no sentido de uma solução dessa natureza e que ele próprio considerou lógica.

Aposentação
Relativamente ao relatório da OCDE, ontem tornado público e que apresentava a necessidade de suprimir os mecanismos de reforma antecipada da Administração Pública portuguesa, Hélder Rosalino garantiu que o Governo não tenciona tomar qualquer iniciativa com esse objectivo, já que pretende que a aposentação se mantenha como instrumento de redução de efectivos.

O Governo insiste ainda no aumento da idade da reforma para os 66 anos por via da alteração do factor de sustentabilidade, na convergência do regime geral com a CGA e ainda na imposição de uma contribuição de solidariedade.

Finalmente, e tendo em conta o crescente clima de instabilidade, medo e desconfiança que se continua a viver nos serviços, a FESAP tudo fará para combater medidas que considera injustas e violadoras da Constituição da República Portuguesa, mantendo em aberto todas a formas de luta tendo em vista a abertura de processos de negociação sérios, que defendam os trabalhadores, que defendam o Estado Social e que visem o alcance de uma Administração Pública cada vez melhor e mais eficiente.

Lisboa, 15 de Maio de 2013

No passado dia 14 de maio, a FESAP, reuniu com o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, para discutir, entre outras questões, o anteprojeto de proposta de Lei que pretende revogar a atual sistema de mobilidade especial e instituir o sistema de requalificação profissional da Administração Pública. No final do encontro foi produzido um comunicado onde a FESAP contesta a intenção do Governo de através do sistema de requalificação profissional pretender atingir um objetivo mais amplo de despedir trabalhadores da Administração Pública. A FESAP garante tudo fazer para combater estas medidas. As negociações prosseguem na próxima semana.

Resolução do Secretariado Nacional da FNE 15 de maio de 2013

Resolução do Secretariado Nacional da FNE

15 de maio de 2013

 

SN 15maio 20131. O Governo acaba de anunciar a intenção de produzir legislação que, nos termos que são conhecidos, constitui um agravamento intolerável das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores da administração pública, para além de integrar uma alteração significativa das condições de acesso à aposentação.

2. As orientações anunciadas violam gravemente princípios constitucionais relativos ao impedimento de despedir trabalhadores da administração pública, pretendendo esconder sob designações perversas o que na prática são efetivos despedimentos ilegais neste sector, contrariando o que o mais recente estudo da OCDE afirmava em relação à dimensão do número de Trabalhadores da Administração Pública em Portugal.

3. Estas medidas constituem um desrespeito inaceitável por acordos celebrados entre o Estado e as organizações sindicais para suportarem alterações legislativas anteriores, nomeadamente a Lei de Vínculos, Carreiras e Remunerações e o Regime Jurídico do Contrato de Trabalho em Funções Públicas.

4. Além destas medidas que afetam os Trabalhadores no ativo, o Governo anunciou ainda a intenção de produzir legislação que reduz o valor nominal das pensões de aposentação.

5. Trata-se de um conjunto de decisões que, na nossa perspetiva, violam flagrantemente a legislação em vigor e que não preservam a confiança que deve presidir à relação entre trabalhadores e entidades patronais, no quadro dos deveres mútuos contratualizados.

6. A consequência destas políticas, em termos globais, é apenas mais austeridade, mais empobrecimento, mais recessão e menos perspetivas de crescimento, desenvolvimento e emprego.

7. Na área da educação, as medidas que têm sido preconizadas põem em causa a qualidade da educação, em acréscimo aos efeitos negativos de outras decisões anteriores, como a revisão curricular imposta em 2012, um processo de agregação de escolas para unidades organizacionais de dimensão inaceitável, o aumento do número de alunos por turma, cuja resultante mais imediata foi o crescimento exponencial da precariedade e do desemprego.

8. As políticas globais e setoriais até agora executadas têm falhado sucessivamente nos objetivos e não trazem nenhum sinal de esperança para os portugueses, pelo que se torna imprescindível exigir outras políticas que vão no sentido do crescimento, do desenvolvimento e do emprego, impedindo ainda que outras medidas mais gravosas se acrescentem às que já estão anunciadas.

9. No setor privado, acaba de ser denunciado o Contrato Coletivo de Trabalho do setor, tendo sido apresentada uma proposta de novo CCT que aumenta o tempo de trabalho e reduz brutalmente os salários.

10. É por estes motivos que a FNE decide:

10.1. lançar, entre 27 de maio e 14 de junho, uma campanha nacional sob o lema “a educação em ação por um futuro melhor”;

10.2. participar ativamente nas ações de contestação e luta que venham a ser desenvolvidas pela FESAP e pela UGT para combate a estas medidas;

10.3. promover, pelos meios ao seu dispor, a contestação jurídica das medidas que o governo pretende implementar;

10.4. dar conta das fortíssimas preocupações em relação ao impacto negativo destas medidas quer aosGrupos Parlamentares quer à Comissão Parlamentar de Educação e ainda ao Provedor de Justiça;

10.5. continuar a participar, até ao limite do que for imprescindível, nos processos negociais que ocorrerem, para impedir medidas mais gravosas para os Trabalhadores que representa;

10.6. esclarecer e mobilizar a sociedade em torno do objetivo de garantia de uma educação pública de qualidade com equidade;

10.7. contribuir para, em concertação e convergência com outras organizações, promover iniciativas de mobilização para contrariar estas políticas;

10.8. realizar, durante o mês de junho, uma campanha junto dos estabelecimentos de ensino privado para esclarecimentos sobre as propostas de novo CCT que acabam de ser apresentadas e receber contributos para a negociação do novo instrumento coletivo de trabalho.

Lisboa, 15 de maio de 2013

FNE não admite que professores possam ser considerados excedentários

 

educare lusaFNE não admite que professores possam ser considerados excedentários
A Federação Nacional da Educação acusou o Governo de ter como opção "forçar o limite da austeridade" e afirmou que o aumento do horário de trabalho vai levar a que "muitos professores sejam considerados excedentários", algo "totalmente inaceitável".

Em reação à comunicação ao país do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, considerou que as medidas anunciadas são "mais um pacote doloroso de medidas de austeridade", que dão continuidade à "desvalorização dos trabalhadores" e à desresponsabilização do Estado. "Depois de tanta gente ter dito que já não havia possibilidade de haver mais austeridade, afinal parece que ainda é possível haver mais austeridade. A opção do Governo é forçar o limite da austeridade, impor mais austeridade, sem ao menos dar como certo um prazo razoável para o fim dos sacrifícios", afirmou.

O sindicalista disse à Lusa não encontrar "justificação razoável" para o anunciado aumento do horário de trabalho da função pública das 35 para as 40 horas semanais, considerando "muito superficial" o argumento da harmonização com o setor privado.

Quanto aos professores, referiu que "o anúncio do crescimento do tempo de trabalho dos professores significa que muitos serão considerados excedentários", o que, do ponto de vista da FNE, "é totalmente inaceitável, porque o crescimento do tempo de trabalho significa perda da qualidade do nosso sistema de ensino".

João Dias da Silva sublinhou que Portugal já ocupa um lugar de topo no conjunto de países da OCDE relativamente ao total de tempo de trabalho direto com os alunos, e que isso "não é garantia de bons resultados escolares".

Quanto à mobilidade especial, que será um regime aplicável aos professores já a partir do próximo ano letivo, o secretário-geral da FNE referiu apenas que é preciso "definir os contornos" das alterações anunciadas.

João Dias da Silva revelou também ter "uma leve esperança" que o espaço de negociação, referido por Passos Coelho, "permita demonstrar que estas não são medidas ajustadas" e que seja possível "encontrar soluções de outra natureza", que mantenham a qualidade dos serviços públicos, sobretudo no setor da educação.

"Isso é que dá futuro, não é a austeridade", defendeu.

O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na passada sexta-feira, numa declaração ao país, um pacote de medidas para poupança de 4,8 mil milhões de euros, nas despesas do Estado, até 2015, que inclui, entre outras, o aumento do horário de trabalho da função publica das 35 para as 40 horas, a redução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade da reforma para os 66 anos.

O Governo pretende também criar uma contribuição sobre as pensões e prevê o aumento das contribuições para os subsistemas de saúde dos trabalhadores do Estado (nomeadamente a ADSE), em 0,75 pontos percentuais, já este ano, e 0,25, no início de 2014.

O Primeiro-Ministro anunciou ainda que o Governo pretende limitar a permanência no sistema de mobilidade especial a 18 meses e eliminar os regimes de bonificação de tempo de serviço, para efeitos de acesso à reforma.

Educação e segurança social sofrem mais de metade dos cortes
A educação e a segurança social serão os setores que mais contribuirão para a redução da despesa do Estado com as medidas setoriais que o Governo pretende implementar nos próximos anos, sendo responsáveis por mais de metade das poupanças.

De acordo com uma carta enviada pelo Primeiro-Ministro à 'troika', a que a Lusa teve acesso, o Governo vai aplicar medidas setoriais que darão uma poupança de 505 milhões de euros já este ano, que sobem para 1,1 mil milhões de euros em 2014 e para 1228 milhões de euros em 2015.

A educação e a segurança social vão contribuir com mais de metade da poupança prevista neste bolo.

O setor que dará maior poupança este ano será a Segurança Social, com 221 milhões de euros, a que se segue a educação com uma poupança de 106 milhões de euros.

Em 2014, a educação passa a ser o setor que maior poupança dará ao Estado se as medidas que o Governo aplicar tiverem o efeito esperado, contribuindo com uma poupança de 325 milhões de euros em 2014, que se mantém em 2015.

A segurança social dará uma contribuição de 299 milhões de euros em 2014 e outros 299 milhões de euros em 2015.

O Governo espera ainda poupar 50 milhões este ano com parcerias público-privadas (PPP) e com o setor empresarial do estado (SEE), que sobem para 100 milhões de euros para 2014 e 200 milhões de euros em 2015.

A saúde terá também uma contribuição significativa, com 34 milhões de euros de poupança este ano, que sobem para 127 milhões de euros anuais em 2014 e 2015.

Fonte: Lusa / EDUCARE | 2013-05-06