Educadores e Professores exigem políticas assentes no diálogo e na concertação
A histórica marcha da indignação pela educação que, no sábado, juntou cem mil educadores e professores, em Lisboa, foi a prova de que os principais actores do processo educativo rejeitam a nova carreira docente e o processo de avaliação.
Dois terços dos docentes que integram o Sistema Educativo nacional disseram, convicta e espontaneamente, “não” à generalidade das políticas educativas implementadas por Maria de Lurdes Rodrigues, com o beneplácito do primeiro-ministro.
O isolamento a que está votada a ministra da Educação, legitimada por José Sócrates, é revelador de um inenarrável autismo e teimosia.
Apesar desta resposta maciça e plural dos educadores e professores, a ministra da Educação continua a cavalgar a demagogia e a inverdade junto da opinião pública.
Agora até recorre ao sorriso demagógico e a uma linguagem dócil para arregimentar os mais incautos.
Tem o descaramento de afirmar que até compreende o descontentamento e até necessita de explicar o processo de avaliação porque nem todos o entendem. Que desfaçatez! Maria de Lurdes Rodrigues tem de se dar conta que foi um erro de casting. Que a sua presença agudiza, ainda mais, os problemas que afectam o país a nível do Ensino e da Educação.
Hoje, os portugueses estão confrontados com uma gravíssima situação que não se resume à presença de Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação (ME), mas às políticas que está a levar, obstinadamente, por diante.
Basta de falta de respeito. Chega de tanta prepotência e autoritarismo.
O SPZCentro e a FNE consideram as reformas necessárias. Mas realizadas com conhecimento de causa. Atendendo aos contextos e às realidades escolares. Com a participação dos agentes educativos. Nunca contra. Jamais lançando campanhas de difamação. Em tempo algum menorizando ou hostilizando o trabalho responsável e escrupuloso dos seus profissionais.
É apanágio do SPZCentro e da FNE negociar e concertar posições que levem à melhoria do Sistema de Ensino. São inúmeros os exemplos que espelham isso durante a longa história das duas organizações de educadores e professores.
Por isso, não foi de ânimo leve que o SPZCentro e a FNE chamaram para a rua os docentes. Fizeram-no para demonstrar ao Governo que estão descontentes com o exercício da ministra da Educação, com a imposição e a desconsideração permanentes.
Ora, não é bom que as escolas e os docentes estejam mergulhados na confusão e no ruído. É importante, isso sim, repor as condições para o exercício pleno da função de ser Educador e Professor. Isso passa necessariamente pela recuperação da confiança e de um novo clima de entendimento entre as partes. De novas políticas. De um novo diálogo entre o ME e os Sindicatos.
Para bem dos alunos, dos pais e encarregados de educação, do Ensino e da Educação.
Para bem do país.
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