Hoje é dia: 24/06/2026

SPZC põe em causa agregações de tamanho exagerado

SPZC põe em causa agregações de tamanho exagerado

Razões invocadas pelo Governo são de uma demagogia gritante. As três unidades de gestão de Coimbra são o exemplo da dimensão exagerada que porá em causa a qualidade do ensino e espoletará o desemprego entre os docentes

Há precisamente um mês, o Sindicato dos Professores da Zona centro (SPZC) denunciou o propósito da criação de agregações de escolas, afirmando em comunicado que sem qualquer objetivo pedagógico, a medida que o Governo de forma silenciosa e com elevado secretismo vem construindo, visa fundamentalmente reduzir o número de unidades de gestão tendo por base o número de agrupamentos existentes.

Agora, somos confrontados com a publicação da lista de agregações, contendo uma primeira e uma segunda fase.

Com a publicação da última lista de agregações somos confrontados com a criação de unidades organizacionais de tamanho exagerado por toda a zona centro de que são exemplo as três unidades de gestão em Coimbra:
- Agrupamento de escolas Alice Gouveia / Agrupamento de escolas de Ceira
- Agrupamento de escolas Silva Gaio / Escola Secundária Jaime Cortesão / Agrupamento de escolas S. Silvestre
- Agrupamento de escolas de Taveiro / Agrupamento de escolas Inês de Castro / Escola Secundária D. Duarte.

Só esta última unidade de gestão envolve 2020 alunos. Deixa-se a pergunta: nestas condições, onde ficará a eficácia, e a eficiência?

É de uma demagogia gritante, a justificação do Governo de que “as agregações agora efetuadas permitem reforçar o projeto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário (…). Facilitam o trabalho dos professores (…)”

Todos sabemos que na base das agregações, muitas vezes feitas às cegas, com critérios duvidosos e nefastos efeitos na qualidade de ensino, está uma decisão política e meramente economicista que terá custos elevados na qualidade da educação e levará a um aumento do desemprego docente.

E não colhe a fundamentação do Ministério da Ciência e Educação ao afirmar que este processo se baseou num amplo consenso em que, em cada caso, a maioria dos intervenientes manifestou o seu acordo.

O SPZC não pode deixar de questionar esta argumentação, pois, em muitos casos, nem professores, nem autarquias estiveram de acordo com as agregações ora publicitadas.

O SPZC manifesta, desde já, a sua total discordância com todo este processo enviesado de agregações, de que irão resultar unidades de gestão de tamanho exagerado cujo contributo para a melhoria da qualidade de ensino não ficou justificada e, estamos crentes, não se irá justificar.

Coimbra, 05 de junho de 2012