SPZC responsabiliza o ME pelo clima de contestação
José Ricardo, presidente do Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC), filiado na FNE,afirma “que a falta de tempo para se ser professor é um dos fortes motivos que tem levado os docentes a aumentar o tom do protesto contra a Ministra da Educação”.
Para o SPZC, o ME está cada vez mais enfeudado por tecnocratas com uma perspectiva fundamentalista-burocrática, que estão a colocar a essência da escola num abismo com consequências irreparáveis.
O SPZCentro denuncia que, hoje em dia, se assiste à desregulação e desumanização desenfreada da organização do tempo e do trabalho dos professores dentro da escola.
O Ministério da Educação esqueceu-se que os professores e educadores precisam de tempo para a preparação pedagógica e didáctica das suas aulas, para a investigação e auto-formação e tempo para a construção de afectos e vínculos com os seus próprios alunos.
Para o SPZC, o Ministério da educação esqueceu-se, por completo, de associar às medidas que tem implementado, os resultados de estudos e investigações realizados no mundo das ciências da educação e da psicologia educacional, quer em Portugal, quer no estrangeiro.
“Num fôlego sem precedentes pelo controlo da profissão docente, o actual ME burocratizou, por completo, o trabalho dos professores, desvalorizando o seu papel fundamental na vertente do ensino, das aprendizagens e da construção do desenvolvimento harmonioso da personalidade dos seus alunos”, afirma José Ricardo.
O papel da escola e dos professores parece, assim, estar a sofrer de um profundo desvio da sua finalidade que é o de educar e formar pessoas para a sociedade de amanhã.É pela afirmação do seu papel na educação das crianças e dos jovens e pela humanização da escola e da profissão, que os professores e educadores se fazem ouvir, cada vez mais, em gritos de revolta.
Para o Presidente do SPZC, cabe ao Governo e aos responsáveis pelas políticas de educação analisar e tirar as ilações deste visível e crescente clima de descontentamento dos professores.
Coimbra, 24 de Fevereiro de 2008
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